Questione a moda

por Furoa

O Iluminismo, movimento que aconteceu há cerca de 300 anos, defendeu a liberdade de conhecimento. Até o surgimento desse movimento, a Europa vivia sobre os dogmas da religião. Mas parece que a situação hoje não está muito diferente.

A mídia, o governo, a religião e as empresas têm determinado o que é certo e o que é errado e temos aceitado isso sem nenhum questionamento. Neste post, vou questionar uma dessas coisas que nos domina: a indústria da moda.

 

Para ilustrar o que vou falar, pergunto para você: o que é bonito?

Para a maior parte das pessoas, os ricos e famosos são bonitos. Sabe por quê? Porque eles definem o que é bonito e o que está na moda.

As grandes empresas da área da moda determinam nossas verdades absolutas, determinam que tal sapato está na moda, que determinada roupa é uma abominação e etc. Quem não segue a moda tem mais dificuldade para conseguir um emprego, é excluído e tachado de estranho. Experimente ir “mal vestido” para uma entrevista. Experimente ir, se você é homem, de cabelo comprido e de barba. Homens que se vestem assim são chamados de anarquistas, comunistas, vagabundos (contraditório, não?), maconheiros e muito mais.

 

Mas a gente precisa agir diferente mesmo sobre críticas. Precisamos ter em mente que se vestir conforme a moda é se inferiorizar, abrir mão de seu valor como indivíduo para ser igual à multidão. O Ocidente é um mundo de iguais e isso é pobreza cultural.

Seguir a moda também é deixar de lado o que é realmente importante. Como nós “precisamos” ter o smartphone mais novo e as roupas da moda (que são caríssimos), passamos a nos preocupar mais com o que temos do que com o que somos (é cliché, mas é verdade). Nós gastamos tanto dinheiro com nós mesmos e nos esquecemos das milhares de pessoas que estão morrendo de frio. O que será que é mais importante: eu viver conforme me mandam ou dar uma roupa a quem está morrendo?

Marcas como a Abercrombie, Nike, Apple e Samsung dizem que gordos são feios, utilizam trabalho escravo e vendem o que custa 5 dólares a 500 reais e nós nem ligamos para isso. Não nos importamos com pessoas que, literalmente, morrem para produzir aquilo que usamos nem nos importamos com o mal causado pelas empresas que incentivamos. A que ponto chegamos?

 

Antes de comprar algo, pense se você realmente precisa do que vai comprar. Acredite em mim e em todos que vivem uma vida simples, menos é mais. Pense na procedência daquilo que você vai comprar. Se pergunte: será que tal roupa é ecológica, será que a empresa usa trabalho escravo para produzi-la?

Deixe a moda de lado e seja quem você realmente é. Valorize-se e valorize as pessoas que são escravizadas para produzir aquilo que o mundo usa.

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