Humano

por Furoa

Adam era humano. Cresceu sob os cuidados de seus pais e brincou muito até, como todo humano, não gostar mais de brincar. Isso aconteceu por volta de seus 14 anos.

Na terra dos humanos não existe escola, então Adam não tinha nada pra fazer. Um dia, no meio do tédio, ele resolveu sair para andar no mato. Depois de uma hora caminhando, pensando no que fazer, olhou para baixo e percebeu como seus pés deixavam marcas incríveis na terra. Sentou-se no chão e contemplou a marca de seus dois pés.
Passou seus dedos pela terra e tentou imitar o desenho de seu pé. Essa primeira arte ficara irreconhecível, mas aos poucos os desenhos de Adam ficavam melhores.

Nesse meio tempo o jovem também se interessou pela filosofia. Ele via, maravilhado, os idosos de seu vilarejo conversando amistosamente sobre a fonte de todas as coisas e passou parte de seus dias ouvindo aquelas conversas. Não demorou muito para que ele participasse e surpreendesse os sábios com sua inteligência.

E enquanto Adam desenhava e descobria as razões últimas do Universo, também começou a se interessar pela natação. Começou a se envolver mais com os nadadores do vilarejo e aprendeu as técnicas básicas. Ele não era o melhor nadador que existia, mas gostava daquilo e isso bastava.

Certo dia, enquanto Adam conversava com os filósofos, um homem chegou à vila. O peregrino contou a Adam e aos outros sábios cada detalhe do lugar de onde vinha.

De todas as características daquele lugar chamado Cidade, teve um que chamou mais a atenção de Adam: lá as pessoas iam a instituições chamadas de faculdades, onde se dedicavam a aprender apenas uma coisa. Surpreendemente na terra daquele homem as pessoas eram conhecidas pelo que faziam, não por quem eram. Adam ficou feliz por ter nascido naquela simples vila. Ali ele não era nem desenhista, nem pensador e nem nadador. Era humano.

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