Terceirização da culpa

por Furoa

Uma coisa muito comum em seres humanos é negar que fazemos coisas erradas. O pior é que negamos até isso (negamos que negamos que fazemos coisas erradas). Quer exemplos?
Todo mundo reclama dos preços abusivos das empresas, mas todo mundo continua consumista.
Todo mundo reclama da educação, mas todo mundo — que pode — põe o filho numa escola particular, ao invés de lutar por uma educação pública de qualidade.
Muita gente fala que o Brasil é racista, mas todo mundo associa negro a bandido.
Muita gente fala que machismo é ruim, mas todo mundo faz piadinhas esterotipadas de mulher.
Todo mundo reclama que a política brasileira está horrível, mas ninguém se levanta e faz alguma coisa.
E não é só péssimo que as pessoas façam isso, é pior ainda que as pessoas criticam quem não é consumista, criticam quem luta por uma educação de qualidade, criticam quem luta por igualdade e criticam quem se esforça por uma política justa e libertária.
Para que esses problemas desapareçam, precisamos reconhecê-los nas nossas vidas e extirpá-los. Não adianta só reclamar, devemos nos levantar e ir para a rua, dialogar e se esforçar para trazer justiça.
Talvez você ore por um Brasil e por um mundo melhor, mas orar não é o bastante. Mais do que isso, você precisa levantar seus joelhos e defender os oprimidos. A oração serve para nos transformar e nós servirmos para transformar o mundo.

PS: a expressão “todo mundo” é hiperbólica e não significa, literalmente, todo o mundo.

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