Deus em outros mundos

por Furoa

Deus está presente no internet e nos celulares? Como?

Esses dias eu estava refletindo na seguinte questão: se Deus existe no mundo real, sendo o chão da existência¹, nos dando vida e amor, como ele se apresenta no mundo virtual? Para responder essa pergunta precisamos entender primeiro o que é mundo real e mundo virtual.

Muitas pessoas acreditam que existem dois mundos distintos: o mundo real, onde nós podemos tocar e sentir; e o mundo virtual, onde tudo é mediado através de uma tela, seja de celular, computador ou televisão. Essa dicotomia é um tanto perigosa, pois o que fazemos no mundo virtual é apenas uma extensão do que fazemos no mundo real. Isso significa que aquilo que postamos e vemos na internet é consequência de como nós vivemos fora dela². Exemplo: uma pessoa só vê imagens de lugares paradisíacos se ela gosta de observar a natureza (visão), de sentir o seu cheiro (olfato), sentir a água (tato), etc., ou seja, aquilo que alguém faz no mundo virtual é totalmente dependente de seu corpo, de sua fisicalidade. Porém, a relação entre os supostos mundo real e mundo virtual não é tão simples. O que vemos e fazemos no chamado mundo virtual também molda como vivemos enquanto desconectados. É a partir de várias pesquisas na internet que decidimos onde comer, o que comprar, para onde ir…

Agora vamos aplicar isso à questão original. Se o mundo virtual é apenas uma extensão do mundo real, a presença de Deus no mundo virtual deve ser apenas uma extensão de sua atuação no mundo offline.
Deus é aquilo que possibilita a existência de tudo e nada existe fora dele, então tudo o que existe no mundo virtual só existe porque Deus deu a capacidade criativa para alguém criá-lo. Cabe a nós perceber Deus por trás das coisas boas que encontramos no mundo virtual e lutar contra aquilo que não produz vida e amor. Deus é, por definição, onipresente, isto é, está em todo lugar. Basta-nos procurar viver e amar e, em todo lugar, encontraremos Deus.

[1] Para aprofundar no conceito de Deus como “chão da existência”, leia Paul Tillich.
[2] O sociólogo Nathan Jurgenson explica bem a questão do dualismo digital em seu artigo “Digital Dualism versus Augmented Reality”, no site Cyborglogy.
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