Superstição

por Furoa

Em um lugar remoto, havia um povo chamado Superstição. Uma das características que fazia esse povo ser tão especial era sua ingênua submissão ao seu líder religioso – o Pastor. Nesse povo não havia nenhum outro líder além dele. O Pastor decidia tudo o que acontecia entre o povo e o que ele falava era obedecido sem pensar.

Outra característica muito marcante desse povo era sua infelicidade. Eles nunca davam um sorriso verdadeiro e tinham total desprezo à vida, talvez porque não sabiam como aproveitá-la.

Certo dia, após seus afazeres, o Pastor teve um ataque cardíaco e morreu inesperadamente. O povo todo se reuniu ao redor dele e implorava aos deuses para trazerem o Pastor de volta. Porém, passou-se muito tempo e nada aconteceu. Chegaram até a dizer que o Pastor era muito santo para permanecer entre eles ou que talvez a sua morte significasse um castigo divino sobre o povo.

 

Em Superstição ninguém sabia mais o que fazer. Tudo virou desordem. Os cozinheiros não sabiam o que cozinhar, os músicos o que tocar e os militantes da moral o que deveriam atacar.

Mas a infelicidade aos poucos ia desaparecendo. As pessoas foram descobrindo o prazer de tomar as próprias decisões e o estimulante sentimento de não saber o que as esperava no futuro as alimentava de vida.

Com a morte do supremo líder religioso, Superstição percebeu que não deveria se prender a crenças religiosas abstratas, mas que deveria simplesmente viver. Aquele povo compreendeu que amar a Deus não era oferecer sacrifícios, mas sim amar a vida.

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