A política nossa de cada dia

por Furoa

Temos o costume de separar a política de cotidiano. Não percebemos que em tudo que fazemos há política. Como bem disse Aristóteles, o ser humano é um animal político.

Isso significa que não podemos deixar que nossas “ações políticas” aconteçam a cada dois anos. Devemos agir continuamente em defesa de uma sociedade mais justa, o que envolve desde coisas básicas, como a nossa relação com nossos familiares, colegas de trabalho e amigos, até coisas com maior repercussão, como participar de debates, sindicatos, organizações, etc.

Consumo como religião

Na sociedade em que vivemos, o consumismo é a religião. Isto é, ele que dá sentido à vida em sociedade. Ele tem seus dogmas (compre sempre coisas novas, livre mercado), é doador de sentido para a vida (sucesso profissional) e exige sacrifícios (não investir em políticas públicas).

Mas o consumo é uma religião criadora de injustiças e sofrimentos. Seus dogmas são baseados em mentiras, seu sentido para a vida é raso e seus sacrifícios apenas beneficiam os ricos.

Contra a mercantilização da vida

Num mundo em que o consumo é a religião oficial, a vida se torna objeto de compra e venda. Nós, os estabelecidos, pagamos pelo privilégio de ir e vir, pela saúde, educação, etc. Enquanto isso, a sede incessante de auto-reprodução do capital destina milhões (quiçá bilhões) de pessoas a uma vida sub-humana.

As mentiras eleitorais

Os candidatos aos cargos políticos são apenas mais do mesmo. São patrocinados pelas mesmas empresas, têm com a mesma ideologia político-econômica e são apenas expressão política dos grandes empresários.

Para sustentar esse sistema que nunca pensa no povo, a grande mídia cria inúmeras mentiras quanto aqueles que se opõem ao sistema democrático burguês. Dizem que são totalitários ou que querem algo impossível. Eles são vistos com horror por negarem os dogmas do capitalismo.

Os defensores do capitalismo tentam convencer as grandes massas que precisam fazer sacrifícios para que a economia cresça e seus problemas acabem. Doce mentira! A economia tem progredido muito desde o surgimento do capitalismo, mas a desigualdade só cresce. Eles enganam as pessoas convencendo-as a comprar coisas que não precisam. Misturam desejo e necessidade e lucram com isso, enquanto nosso planeta é destruído e pessoas são escravizadas para produzir seus produtos.

Do voto cristão

Vale lembrar que cristãos não podem querer tomar o poder. Nós transformamos a sociedade de baixo pra cima, cuidando dos pobres, educando, etc. Por isso, o voto mais cristão que existe é o voto nulo. E qualquer pessoa ou partido que use de seu cristianismo para conseguir poder está sendo anticristão.

Não deixe as eleições determinarem sua atuação política. O poder popular precisa falar mais alto que a grande mídia. Não se conforme com a ideologia econômica que não tem o pobre, o proletário, o oprimido como foco. Não se preocupe em ir às urnas, mas vá às ruas, pois é lá que temos poder verdadeiro.

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