Os problemas do minimalismo

por Furoa

Muita gente acaba por transformar estilos de vida em algo superficial. Eu, por exemplo, sou grande fã do minimalismo, tanto na arte quanto no estilo de vida. Viver com simplicidade é parte da minha fé. O problema é que muita gente acha que adotar o minimalismo é suficiente para mudar o mundo.

Atitudes individuais e pequenas para um mundo melhor são desejáveis, mas não mudam o sistema desigual que controla nossa economia. Precisamos nos organizar e trabalhar ativamente na defesa daqueles que não têm acesso às coisas básicas da vida.

Além de consumirem menos objetos, os minimalistas tentam consumir menos tempo. São grande defensores da produtividade e, para conseguirem alcançá-la, fazem uso do discurso capitalista do “desenvolvimento pessoal”. Delineiam metas e estratégias, focam apenas no que estão fazendo no momento — aquele clichê do agora –, pensam apenas no lado positivo do mundo e se esquecem de qualquer coisa que não lhes seja proveitosa para alcançar seu objetivo máximo.

Nessa preocupação produtivista, o ser humano se torna uma máquina que deve ser otimizada para dar mais lucro. Ele se torna alienado e perde a perspectiva espacial e temporal de suas ações. Na busca pelo aqui e agora e pelo crescimento pessoal, os minimalistas não veem a escravidão que acontece nas fábricas e as consequências futuras de suas ações. Não se envolvem em nenhuma busca por justiça (o que requer tempo e dinheiro) que não esteja dentro das principais metas de suas vidas.

Ouso dizer que não devemos nos preocupar em ser produtivos, pessoas bem sucedidas, ou em meramente consumir menos. Proponho aquilo que Jesus propôs: viva para o seu próximo. Esse paradigma nos obriga a viver com simplicidade e desmonta toda a lógica egocêntrica capitalista que tem feito tanto mal à humanidade.

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