Dia da Reforma Protestante: reflexões sobre a tradição e a graça

por Furoa

Neste dia 31 de outubro comemoramos a reforma protestante. Embora eu tenha algumas ressalvas contra a visão de mundo que a reforma trouxe (a filosofia nominalista), é bom relembrar esse evento para continuarmos em seu legado e avançar positivamente.

Muitas pessoas — e eu incluso — acreditam que é preciso uma nova reforma na igreja. Uma reforma do povo, criando uma religião do povo e com o povo, alicerçada na tradição cristã. Precisamos deixar para trás o elitismo e o sectarismo da igreja contemporânea.

Olhar para a nossa tradição e criar novos caminhos

Um dos grandes problemas das igrejas de hoje, em especial das chamadas evangelicais, é a falta de noção histórica. Nega-se toda a tradição cristã com a desculpa de que é preciso ser contemporâneo. Com isso, perdemos a riqueza teológica e mística de nossos pais e mães da fé e não sabemos como resolver os problemas que se colocam diante de nós.

Se a igreja der novamente importância à tradição cristã — com seus maravilhosos textos de espiritualidade, liturgia, canções, etc. — com certeza seremos cristãos muito melhores, orientados a Deus, às pessoas e ao planeta. Seremos cristãos de fé sólida, que não negam seus problemas e suas dúvidas, mas que caminham apesar delas.

Olhar para a tradição também nos ajudará a identificar os problemas que temos hoje. Veremos que muito daquilo que rotulamos como cristão vai contra a essência de nossa fé e tem feito mal à igreja. Ver como nossos pais e mães da fé lidaram com os problemas de sua época será de grande ajuda para enfrentar e vencer os problemas da igreja.

Graça

Graça é o conceito de que Deus nos ama e age por nós independentemente do que façamos. Não há mandinga, óleo santo, corrente, toalhinha suada, músicas, livros, método ou moral que garanta a ação de Deus em nosso favor. Deus derrama seu amor sobre todos, pecadores e beatos. Embora essa doutrina seja o centro da teologia protestante, a igreja contemporânea a tem abandonado de maneira surpreendente.

Precisamos recuperar a centralidade da graça e rejeitar qualquer tipo de crença que deixe essa importante doutrina de lado. Por esse e por outros motivos, não podemos apoiar mercenários, que roubam do povo fingindo serem mensageiros de Deus. Devemos proclamar que aquilo que Deus dá, Deus dá de graça.

Estamos num momento crítico da igreja brasileira. Ela tem abandonado suas raízes, defendido piamente discursos anticristãos e negado a doutrina principal do cristianismo. Que possamos olhar para a reforma protestante, nos inspirar e lutar por uma igreja genuinamente cristã.

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