Hamilton, o sonhador

por Furoa

Hamilton era como toda criança: um sonhador. Ele tinha esperanças de ver um mundo igualitário, livre e criativo. Um de seus sonhos, que confesso me ser muito caro, era de ver uma espiritualidade que, ao invés de oprimir, fosse ferramenta de libertação.

Quando cresceu, Hamilton não se tornou como seus colegas. Ele continuou sonhando, mas seus amigos desistiram de suas aspirações, se conformaram.

Tentando ajudar as pessoas a viverem uma fé libertadora, Hamilton se tornou pastor. Não deu muito certo. A liderança da Igreja, comprometida em conservar o mundo injusto, logo o expulsou.

Mas isso só serviu de combustível. A partir daí, Hamilton seguiu muitas carreiras que admirava: foi psicanalista, poeta e professor. Em todas elas foi rebelde. Mostrava a seus colegas que era preciso sonhar e construir um pensamento embasado na esperança de um mundo mais justo.

Decorridos muitos anos, o velho Hamilton tinha certeza de que sua teoria estava certa: a humanidade era intrinsecamente sonhadora — por isso as crianças sonham tanto — mas a máquina do dinheiro, a forja universal, formatava a mente dos jovens para que, quando adultos, se conformassem e passassem a vida inteira correndo atrás do vento.

Felizmente o trabalho de Hamilton, assim como o de muitos sonhadores e sonhadoras que o antecederam, despertou muita gente. Até hoje adultos reaprendem a sonhar lendo seus livros e ouvindo suas palestras.

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